Polícia e MPPE entram em crise durante investigação do assassinato de promotor

Apesar da força-tarefa montada para investigar o assassinato do promotor Thiago Faria Soares, 36 anos, a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) foram incapazes de avançar na apuração do caso e entraram em “conflito institucional”. A crise se enraizou e gerou falhas consideradas graves a ponto de eliminar a possibilidade de identificação e localização dos suspeitos de planejar e executar o crime, ocorrido no Agreste pernambucano, numa região conhecida como Triângulo da Pistolagem e dominada por grupos de extermínio. Foram essas as considerações do ministro Rogerio Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao decidir repassar à Polícia Federal o comando das investigações. Thiago Faria foi executado com tiros no rosto e no pescoço no dia 14 de outubro de 2013. A menos de um mês do homicídio completar um ano, não há nenhum suspeito detido.

O JC teve acesso à decisão do ministro Rogerio Schietti. Nela, o relator enumera vários episódios de atrito entre Polícia Civil e MPPE. As duas instituições deveriam ter trabalhado de forma conjunta para dar resposta a um crime de repercussão nacional. Mas acabaram atuando em desarmonia, realizando diligências paralelas, uma dificultando o trabalho da outra. “Considerando que já se passaram nove meses desde o homicídio e que a falta de entendimento operacional entre a Polícia Civil e o MPPE tem ensejado um conjunto de falhas na investigação que pode acabar comprometendo o resultado, com riscos de impunidade, as autoridades não estão dando sinais de que, em tempo hábil, haverá resposta eficiente”, concluiu o relator.
Fonte JC
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