Em nota, pastor da Igreja Batista Ágape em Buíque ressalta o quanto é importante que as autoridades governamentais, entendam a importância que a fé e os locais de culto tem na vida das pessoas

Recebemos com muita preocupação o decreto do governador que fecha às igrejas nos finais de semana em todo o estado de Pernambuco. Nos preocupa porque nos parece uma medida draconiana, esdrúxula, e arbitrária, que extrapola a sua competência e atropela a própria constituição federal. 

A constituição federal no artigo 5º inciso lV, diz que: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Ora a simples leitura do texto constitucional deixa claro que é direito fundamental de qualquer pessoa a liberdade de crença e o livre exercício de cultos religiosos. É uma cláusula pétrea da constituição federal, e um direito inviolável de cada cidadão brasileiro.  

Com isso, não se está advogando o direito a irresponsabilidade, sabemos o momento delicado que estamos vivendo,  a calamidade que se abateu sobre todos nós, e os nefastos prejuízos causados por essa pandemia, que tem colapsado os sistemas de saúde, ( o nosso já havia colapsado a tempos diga-se de passagem, piorou com o covid-19 é claro), quebrado a economia, e dizimado vidas, trazendo um grande infortúnio e sofrimento a todos. 

A minha indignação nasce exatamente, por discordar da maneira como as nossas autoridades tem tratado a igreja e as demais entidades religiosas do país, relegando o serviço prestado por elas, a algo  desnecessário e não essencial num momento tão crítico da nossa história. sendo que as atividades desenvolvidas pelos templos religiosos se mostram essenciais, principalmente durante os períodos de crises, pois, além de toda a atividade desenvolvida inclusive na assistência social, o papel dessas instituições impõe atuação com atendimentos presenciais que ajudam a lidar com as emoções das pessoas que passam por necessidades e enfrentam momentos difíceis.

Conforme acima exposto, a Constituição Federal em seu art. 5º, inciso Vl, garante a liberdade religiosa e o funcionamento de tais locais sem a possibilidade de interferência do poder público. Ainda, tem-se que tais estabelecimentos possuem papel fundamental para auxiliar na propagação de informações verdadeiras e auxiliam o poder público e as autoridades na organização social em momentos de crises, uma vez que além de oferecerem em diversos casos o auxílio material, auxiliam através da assistência psicológica e espiritual, bem como na orientação para o respeito às ações governamentais. 

A atividade religiosa tem sido auxiliadora do Estado brasileiro ao prestar serviços na área da educação, saúde e assistência social. Os locais destinados aos cultos religiosos, uma vez que, além de ser um lugar de manifestação da prática religiosa, muitas vezes também nesses mesmos lugares tem-se a prestação de diversos serviços considerados essenciais e de assistência a população.

Ressalte-se que em diversas vezes tais locais podem servir como ponto de apoio fundamental às necessidades da população, haja vista que em diversos momentos o próprio poder público em parceria com tais entidades, pode utilizar tais estruturas, como tem acontecido inclusive no caso atual do Coronavírus. 

Afinal, os templos não só fazem preces pela saúde dos enfermos, como também reforça medidas de prevenção, bem como arrecadam doações para que sejam distribuídas às famílias carentes. Portanto, percebe-se que os templos auxiliam de forma inconteste não somente na assistência espiritual, mas também social, e até emocional/mental, posto que o confinamento a que as pessoas estão sendo submetidas tem aumentado drasticamente os casos de ansiedade, depressão aumento de violência doméstica, e os casos de suicídio no mundo inteiro.

Assim, é importante que as autoridades governamentais, entendam a importância que a fé e os locais de culto tem na vida das pessoas. É inadmissível que o estado trate a igreja e as demais entidades religiosas como um serviço não essencial. é contra isso que nós estamos protestando, de que vale alguém ir á padaria ou ao supermercado comprar alimentos, enquanto alma está definhando a tal ponto de não ter vontade de comer? 

De que vale uma cama para dormir quando o sono vai embora e o desespero se instala na alma? De que vale trancafiar as pessoas dentro das suas residências e abandoná-las na solidão e no desespero silencioso que tem ceifado a vida de milhões de pessoas que não morrem devido ao problema da ansiedade crônica e da depressão, que as tem levado ao suicídio. 

É exatamente essas pessoas que o estado não alcança, que as igrejas e demais instituições religiosas tem abraçado, acolhido e cuidado. De maneira que fechar os templos religiosos é um desserviço, pois é lançar na escuridão e num desespero ainda maior aqueles que estão sofrendo em meio a essa calamidade que se abateu sobre nós. 

As igrejas e as entidades religiosas de modo geral são tão, ou mais essenciais do que qualquer outro serviço! por todo trabalho social que elas desenvolvem, mais acima de tudo pelo cuidado com a alma das pessoas. De gente aflita, abatida, desesperada, angustiada, depressiva, ansiosa, em Pânico. Que procuram exatamente nesses lugares a força, a paz, e o consolo, que não encontram em nenhum outro lugar.

A atividade religiosa, é sim uma atividade essencial, e nós queremos continuar exercendo a nossa vocação de cuidar das pessoas. Fazendo isso com toda a responsabilidade que o momento exige, seguindo a risca os protocolos sanitários de assepsia e higienização, de distanciamento social, e todas as medidas que sejam necessárias. Mas os templos devem continuar abertos, recebendo aqueles que sofrem, aqueles que o estado na maioria das vezes não alcança, e muitas vezes até os abandona.

Pr. Jonathan Rodrigues pastor da igreja batista ágape em Buíque.

 

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